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Sorry, I am busy!

Updated: Apr 7

Há uns meses atrás, quase há um ano que o tempo passa rápido, voltei a ter um trabalho a tempo inteiro numa agência em Portugal, algo que não fazia há 11 anos. Em 2007 comecei o meu percurso profissional bem por acaso, quando o meu namorado da altura me incentivou a candidatar a um programa de estágios numa agência de publicidade, aparentemente a melhor do país.


Mas porque raio me havia eu de candidatar àquilo, se tinha estudado jornalismo e cinema e o que eu queria mesmo era escrever? Boa pergunta, para a qual não tenho uma resposta válida. A verdade é que não só me candidatei, como consegui uma vaga como estagiária e nunca mais olhei para trás. Na verdade olhei sim, passado um ano e meio, quando de estagiária tinha passado a copywriter e me tinham feito a praxe clássica do departamento criativo: darem-te um brief para resolveres para o dia seguinte, o qual envolvia uma noitada e comer muita porcaria para aguentar a coisa.

O que estava eu a fazer ali, uma miúda que nem sabia a diferença entre um headline e um conceito criativo, escrever por prazer ou com um propósito comercial? Mais uma pergunta que não sei responder, mas que me fez perceber logo que aquilo não era para mim.


A cultura da piadinha, o machismo enraizado, o poder dos grandes egos. Eu era a carta estranha e tinha que sair daquele baralho, isto se queria manter alguma sanidade mental e continuar a escrever.


Obviamente que não saí logo e que esta experiência me trouxe coisas ótimas, mas é também interessante perceber como ha coisas que sabemos logo que estão erradas, e mesmo assim fazemos um esforço para que funcionem #notetoself.


Passados estes anos todos, quase 15, não olho para trás com rancor mas questiono um pouco algumas das escolhas que fui fazendo ao longo do meu percurso profissional. Já escrevi sobre isto várias vezes, em comum têm o facto de eu ter um padrão: quero escrever, fazer dinheiro com a escrita tornar-se complicado, regresso a agência, lá ganho mais uns trocos mas deixo de ter tempo para escrever.


Ora, a vida não é estanque e, se há momentos da humanidade em que podemos questionar tudo, este é certamente um deles. Com a pandemia e a democratização do tele-trabalho, mesmo em países mais adversos à mudança como Portugal, o queixo cai-me ao sentir na pele como ainda se trabalha nas agências em 2022. Horas longas, prazos desumanos, contacto constante, expectativas sei la, irreais.


A ambição e até a romantização de que isto vai mudar em breve ficou lá atrás na minha primeira (e última) direta no trabalho, mas a vontade de fazer a diferença está cada vez mais presente. Já trabalhei em agências grandes e pequenas, multinacionais e independentes, em Portugal, em África e até em Londres e em comum sempre senti uma gigante desconecção entre a vontade das pessoas fazerem bom trabalho e o trabalho ser bom para elas.


Como se pode ser criativo com tanta repressão e tão pouco espaço e tempo para criar? Como se poder ser feliz no trabalho sem liberdade para parar, falar, expressar e, ultimamente sermos nós mesmos? Como se pode viver inspirado para trabalhar e criar tendo que estar 8 horas atrás de um computador ou fechado num escritório?


Não sei as respostas todas, mas sei algumas pistas e truques que fui aprendendo ao longo destes quase 15 anos. Sei que temos que desenvolver uma grande resiliência e confiança em nós mesmos, mas também aprender a dizer não, assim não e até fuck it!, assim não está a funcionar para mim. Sei que temos que aprender a escolher as nossas batalhas e a calar o ego quando começa a querer falar mais alto que o ego mais alto da sala. Sei que temos que encontrar o lugar do trabalho na nossa vida, e perceber se a nossa vida é ou não e o trabalho.


E como se faz isto? Vivendo, aprendendo e conhecendo-nos cada vez melhor. There is not one size fits all.


No meu caso usando a meditação e a escrita como ferramentas de auto-conhecimento que nos podem ajudar a gerir o dia-a-dia mas também a crescer como humanos, respeitando-nos a nós e aos outros. Foi a pensar nisto, acho que é isto, que nasceu a Sorry, I am busy! wellbeing for creatives. Porque alguém tem que dar a cara pela coisa, embora ainda me custe muito dar a cara pela coisa.


Vamos falar de bem-estar no trabalho, ajudar-nos a evitar mais burnouts e, esperemos, ser mais felizes no dia-a-dia, dentro e fora do trabalho?


( e não, não vou concorrer a presidente mas nos dias bons acredito mesmo nestas coisas cringissímas ).


Logo pelo super talentoso Fabio. Podem falar com ele para trabalhos de design, ilustração e animação.




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