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Estratégia e criatividade, um casamento moderno

O que é que fazes mesmo no trabalho? Esta é uma pergunta que me fazem sempre que digo que sou uma estratega criativa. Estratega e criativa? Mas isso não são coisas opostas? Mas isso não contradiz a lógica?

Ao que eu respondo, com um sorriso, que a lógica existe para ser criativamente desafiada.


O que é ser estratega e as principais tarefas do dia-a-dia


Vamos começar pelos básicos, a la Inglesa. Ser estratega numa agência criativa implica trabalhar no departamento de estratégia, o qual faz a ponte entre o negócio e a criatividade. Trata-se de uma função tão complexa como completa, que requer um conhecimento profundo do negócio (leia-se mercado, categoria, empresas, produtos, serviços), de marca (posicionamento, auditoria, benchmark, tendências, boas práticas), da comunicação (proposições, conceitos, insights, mensagens, táticas, etc, etc) e, claro, das pessoas.


Tudo sem esquecer a compreensão da própria agência, a fim de se conseguir integrar todas estas dimensões num mesmo projeto de forma coerente, eficiente e humana.


Ser estratega é um trabalho altamente cerebral, onde o pensamento analítico ajuda a sistematizar toda a informação de uma forma simples e clara que todos os intervenientes consigam compreender, mas também altamente criativo, visto que requer pensar em desafios por vezes não tão claros e chegar a hipóteses de como resolvê-los. Eu adoro. Gosto sobretudo da parte de podermos navegar entre o lado mais estratégico e o mais criativo consoante o projecto, desafio ou cliente.


No entanto, e como em tudo na vida, há partes do meu trabalho que me saem muito naturalmente e outras que me dão, lá está, bastante trabalho.


Feedback dissonante: do not take it personally


Sempre me considerei -e consideraram (vergonha desta frase mas enfim), uma pessoa criativa mas também muito estruturada e organizada, o que pode ser bem confuso para quem está de fora ou esteve menos exposto a perfis mais divergentes, isto é, não facilmente categorizáveis. Já sabem, nós humanos gostamos de caixas e caixinhas que nos ajudem a navegar a vida.


No entanto, e ainda bem, as profissões, tal como nós seres humanos, não somos lineares.


"You are too creative for a strategist". Se vos disser as vezes que ouvi isto, teria que escrever um livro em números. Com um background em escrita (Jornalismo), criatividade (Cinema) e Comunicação estratégica ( Marketing e Publicidade), é natural que acabe por combinar todas estas vertentes de uma nova forma, trazendo a minha personalidade, experiência e mundo ao meu trabalho e dia-a-dia no trabalho.


"You are too strategic for a creative Strategist, we would love to have seen your more creative side" foi também feedback que já recebi. Confuso, não? Por um lado sim, mas por outro lembra-me que nunca poderemos agradar a todos e que, no caso de dúvida é darmos o nosso melhor com brio e humildade. Faz-me pensar ainda que, como em tudo o resto, a adequação do nosso perfil muito tem a ver com o perfil da empresa onde trabalhamos, da sua cultura e abertura (ou não) para a diversidade e debate e, claro, do tipo de projectos.


A pessoa, a pessoa, as pessoas


Ora, eu cá gosto de desafio, de diversidade e debate. Gosto ainda mais do resultado que esta receita trás. Dias, trabalhos e soluções mais ricas, mais maduras e até mais divertidas.


No trabalho, tal como em tudo, antes do que quer que seja temos que considerar a pessoa que está por detrás do titulo. Se somos todos diferentes, porque haveríamos de fazer todos o mesmo da mesma maneira? Para além de não ser assim tão interessante, acabaríamos bem aborrecidos, já que é a aprendizagem e a novidade que levam a tão famosa dopamina ao cérebro e nos fazem evoluir como seres humanos.


Por isso, e para responder à questão sobre o que faz um estratega criativo, fica aqui a minha opinião: é a perfeita imperfeita combinação entre o racional e o emocional, as hard e as soft skills, o técnico e o humano. Portanto sim aos modelos, à estrutura e à segurança do Powerpoint mas ainda mais sim à coragem para pensar diferente, dizer diferente e fazer diferente.


Porque no dia em que deixarmos de pensar criativamente a estrutura e o status quo, mais vale mudarmo-nos para o planeta Web 3.0 e comer NFTs.






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