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Aprender a (re)viver o confinamento

Meditar, praticar ioga, dançar e mexer em casa ajudam a manter a mente sã. Respirar, andar, correr, dançar, mexer, falar com pessoas, ainda mais. Cantar e gritar é aceitável quando tem que ser - desculpem, vizinhos, mas tem mesmo que ser.

Se há coisa que decidi desta vez, inspirada por Belchior e Emicida - se ainda não viram o documentário ​AmarElo - É tudo pra ontem,​ na Netflix, eis duas horas bem gastas -, foi não me deixar morrer de novo.

Na fila para pagar no supermercado, observo as emoções à flor da pele, as minhas e as dos outros, e os comportamentos do confinamento que se começam a repetir. Estamos praticamente colados uns aos outros, com os sacos de pano e carrinhos cheios sabe-se lá de quê. Parece-me um mix de medo, papel higiénico e esperança que isto acabe rápido. Está uma fila enorme e tudo impaciente. Respiro. Volto a inspirar mais profundamente e tento ficar na fila. Expiro e reformulo o meu pensamento.


O ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro, Belchior toca na minha cabeça. Não vou ficar na fila. Janto o que tenho em casa e amanhã logo regresso, com mais paciência e menos gente. Então, largo tudo, agarro no cão que esperava à porta e vou até ao miradouro sentar-me no muro para respirar mais um bocado.


Ler artigo completo aqui, originalmente publicado no jornal Publico.

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